Corpo de vítima de Covid-19 é trocado no hospital e a família só é notificada após o enterro, no Ceará

O aposentado Carlos Alberto Viana, 76 anos, morreu de Covid-19 às 6h do domingo passado (19), depois de passar 21 dias internado no Hospital Monte Klinikum, em Fortaleza. Família e amigos realizaram o enterro no mesmo dia, com o caixão lacrado como medida de segurança.
 Horas depois, no entanto, eles foram informados de que havia ocorrido um erro no hospital e que o corpo enterrado pertencia a outra pessoa.

O Ceará atingiu o número de 206 mortes pelo Covid-19 nesta segunda-feira (20), de acordo com a última atualização da plataforma IntegraSUS, realizada às 17h. O novo coronavírus (Sars-Cov-2) chegou em 100 cidades cearenses, que já possuem 3.487 diagnósticos positivos para a infecção.

O processo de esclarecimento da situação foi narrado por um amigo próximo da família. Segundo o homem, os familiares receberam uma ligação do agente funerário por volta das 14 horas do mesmo dia, informando que havia ocorrido um erro no hospital onde o parente foi hospitalizado.

Surpresos, os familiares entraram em contato com o Hospital Monte Klinikum e, por telefone, souberam que seria necessário ir à unidade, pois informações desse tipo só podiam ser repassadas pessoalmente. “Naquele momento, tínhamos esperança de que ele estivesse vivo. Criou a expectativa de que tivesse sido um erro ”, diz o amigo.

Chegando à unidade, encontraram a família da pessoa que havia sido enterrada por engano. O equívoco foi esclarecido quando esses familiares relataram as horas passadas em um outro cemitério, à espera do corpo que nunca chegou. Lá, tiveram que ouvir, novamente, a confirmação do óbito de Carlos Alberto.

Em seguida, foi solicitado que fizessem o reconhecimento do corpo. “Em nenhum momento os funcionários do hospital se explicaram, se justificaram. Eles nem estavam esperando que parentes fossem reconhecer o corpo. Era como se não soubessem”, relata. Conforme o depoimento, não houve, por parte do hospital, nenhuma forma de retratação ou tentativa de confortar a família.

Em nota oficial, o Hospital Monte Klinikum afirma que “lamenta o ocorrido e informa que prestou assistência à família”. A unidade de saúde não informou qual a causa da morte nem a identidade da outra vítima envolvida no erro.

Segundo enterro

O sepultamento de Carlos Alberto aconteceu, de fato, às 15h30 do mesmo domingo. Desta vez, nem todos os amigos e membros da família puderam comparecer. “Não é a mesma coisa, você não consegue sentir a mesma emoção duas vezes”, diz. A breve cerimônia foi atrasada, ainda, ao perceberem que o corpo do idoso foi trazido no mesmo caixão enterrado pela manhã. “Estava todo marcado, arranhado, danificado mesmo. Foi horrível. Tiveram que pedir para colocarem em uma urna nova”, lamenta.
Carlos Alberto Viana era aposentado. Ele começou a sentir fraqueza, alterações no paladar e dificuldade para se alimentar no dia 26 de março. O idoso se dirigiu ao hospital, onde foi medicado e liberado para voltar para casa, mas retornou à unidade no dia 30, com um quadro grave de pneumonia. Ele testou positivo para Covid-19 e permaneceu internado até ir a óbito.
A esposa de Carlos também foi infectada com o coronavírus. Ela desenvolveu tosse, febre e falta de ar, foi internada no dia 1º de abril e permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Monte Klinikum, em estado grave.

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